Unimed Goiânia identifica novo caso de fraude em auditoria de terapias para crianças TEA

A Unimed Goiânia identificou um novo caso de fraude na prestação de terapias especializadas voltadas a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A apuração envolve o Instituto Kids, clínica que atuava como prestadora credenciada da operadora em Goiânia, e uma unidade denominada For Kids, localizada em Aparecida de Goiânia e sem credenciamento junto à cooperativa.

Como a fraude foi identificada

As primeiras evidências surgiram a partir de denúncias internas, manifestações recebidas em canais da cooperativa e cruzamento de dados assistenciais. Entre os alertas identificados estavam divergências no local de execução dos atendimentos, falhas de rastreabilidade e possível uso indevido de credenciais de autorização.

Com o aprofundamento da investigação, a operadora intensificou o monitoramento técnico do prestador e realizou auditoria presencial em março deste ano, quando as suspeitas passaram a ser sustentadas por evidências documentais.

Atendimentos em clínica não credenciada

Durante a apuração, equipes da Unimed acompanharam simultaneamente a movimentação nas duas unidades e constataram que atendimentos realizados fisicamente em uma clínica não credenciada estavam sendo executados no sistema em nome da clínica credenciada.

Foram identificados casos em que beneficiários estavam presentes na unidade, localizada em Aparecida de Goiânia, enquanto as respectivas guias terapêuticas eram registradas digitalmente em nome do prestador credenciado, em tempo real. A situação aponta para possível compartilhamento indevido de credenciais, cartões físico (método já obsoleto e em desuso pela cooperativa), tokens e outros mecanismos de autenticação utilizados para autorização e execução das guias.

A investigação também reuniu outros elementos que reforçaram a fraude, incluindo registros operacionais, denúncias internas e relatos de orientações repassadas a familiares que poderiam comprometer a rastreabilidade dos atendimentos, especialmente em relação ao local real de realização das terapias.

Além da fraude na execução dos atendimentos, auditorias técnicas também identificaram fragilidades assistenciais e documentais, como inconsistências entre sistemas de registro, prontuários incompletos e divergências entre agendamentos e evoluções clínicas.

Diante dos achados, a Unimed Goiânia formalizou notícia-crime junto a Polícia Civil. O caso segue sendo acompanhado pelas autoridades competentes para investigação.

Impacto muito além do financeiro

Este é o segundo caso recente tornado público pela operadora envolvendo fraudes em terapias especializadas. Em apuração anterior, envolvendo uma clínica localizada em Santo Antônio de Goiás, a cooperativa também identificou inconsistências relevantes relacionadas à execução de atendimentos e registros assistenciais.

De acordo com o diretor de provimento da Unimed Goiânia, Dr. Francisco Albino Rebouças Júnior, a principal preocupação da cooperativa permanece sendo a proteção das crianças e a segurança assistencial.
“Quando falamos em fraude no atendimento a crianças com TEA, o problema vai muito além do prejuízo financeiro. O maior risco está no impacto assistencial. Estamos falando de pacientes em uma fase extremamente sensível do desenvolvimento, em que continuidade terapêutica, qualificação profissional e rastreabilidade do cuidado são determinantes para a evolução clínica”, afirma.

Segundo ele, a operadora tem intensificado auditorias, cruzamento de dados e mecanismos de controle para identificar práticas fraudulentas sem comprometer a continuidade assistencial dos pacientes.

“Nosso compromisso é duplo: combater com rigor qualquer prática fraudulenta e, ao mesmo tempo, garantir que nenhuma criança fique desassistida. Sempre que identificamos evidências consistentes, atuamos tanto na proteção assistencial das famílias quanto no encaminhamento dos fatos aos órgãos competentes para investigação”, acrescenta.

A Unimed Goiânia reforça que todos os beneficiários impactados por processos de auditoria, investigação ou descredenciamento receberão acolhimento para garantir continuidade terapêutica segura na rede própria ou credenciada, sem interrupção do cuidado.

 

 

 

 

 

 

 

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